01/01/2009 Paraty-RJ Praia de Jabaquara
A primeira coisa que fiz quando acordei foi perguntar quem tinha me atropelado. O que sobrou de mim tentava com muito esforço levantar e ver a luz do 1º dia do ano.
Do nosso quarteto, eu não fui o ultimo a levantar, o menino ainda continuava roncando na barraca.
A nossa barraca estava bem próxima do camping que ficamos na noite anterior. Como eles não tinham controle de quem estava acampando lá ou não, aproveitei e tomei uma ducha de graça. Quando voltei, o casalzinho estava no maior "Love" dentro d'água. Achei aquilo muito legal, por enfim vi que minha amiga parecia estar muito feliz. Essa nossa viajem surpreendentemente fez com que eles se reaproximassem. Propositalmente não mencionei que o menino não era filho da minha amiga . Na verdade ele nasceu de um casamento anterior do marido dela. E por ironia do destino, mesmo com anos de relacionamento do casal, minha amiga nunca tinha encontrado o menino.
Pouco depois fomos arranjar um lugar para comer. Levantamos a barraca pela ultima vez, pegamos o carro e fomos para o centro. Como ainda estava cedo para almoçar e a grana estava curta ainda, resolvemos ir numa padaria. O lugar estava cheio e eu tive que enfrentar uma fila imensa para pegar a ficha no caixa. Vinte minutos depois eu fui atendido. Pedi 10 pães, 500 gramas de mortadela e uma coca de 2L. Quando fui para o balcão, uma muvuca de adolescentes atrapalhava o atendimento. Devido a isso fiquei mais uns 15 minutos esperando . Então finalmente pegaram minha ficha, me deram a coca e em seguida me questionaram: “Acabou o pão, não te avisaram?”. Respondi educadamente que se tivessem me avisado eu não tinha permanecido na fila 45 minutos. Informaram-me que iria demorar mais 40 minutos para fazer os pães. Não pensei muito, disse que queria meu dinheiro de volta. Voltei ao caixa e ele me perguntou se eu ia devolver tudo. Nesse momento eu percebi que ainda estava segurando a sacola com a Coca. Vou devolver tudo, disse ao rapaz, que logo devolveu meu dinheiro sem questionar mais nada. Calculista ao extremo sai da padaria contente de ter esperado 45 minutos, para ganhar uma Coca de 2 l de graça. Duas quadras adiante tinham outra padaria que nos atendeu muito bem.
Com a barriga cheia resolvemos dar o ultimo passeio na cidade. Resolvemos conhecer o Hospital de Paraty, pois menino ainda sofria com as dores do corte no pé. Ele acabou saindo do hospital com uma benzetacil , uma antitetânica e um curativo enorme . Depois do hospital decidimos voltar para São Paulo.
Passamos numa cachoeira sem graça antes, se é que aquilo pode ser chamado de cachoeira. Depois de toda aquela aventura, fiquei realmente exigente. Mas ir embora e ver por ultimo aquela cachoeirinha seria muito triste.
Até que voltamos para a rodovia Rio-Santos sentido Ubatuba. Minha amiga teve uma grande idéia. Iríamos passar por ultimo em Trindade.
É uma experiência incrível passar por aquele lugar. Água cristalina, areia branca, rochas e ondas inexplicáveis. Uma pena não termos ficado muito tempo lá. Para chegar à praia é bastante complicado, depois que saímos da rodovia subimos um morro enorme, parecia que a praia ficava no alto da montanha. Achei que aquele gol 1.0 não ia agüentar o tranco. Chegando enfim ao topo da montanha podemos ver aquela vista maravilhosa, dai foi só descer até a praia. Não canso de elogiar aquele lugar, e com certeza voltarei lá em outra oportunidade. Já no fim da tarde pegamos o carro e voltamos para a estrada .
Resolvemos deixar para abastecer na estrada porque na cidade o preço da gasolina estava altíssimo. Quando voltamos para a estrada estranhamos muito o fato de não haver transito algum. Num ritmo muito bom, achamos que chegaríamos umas 22h00 em São Paulo. Mas isso não durou muito, dez minutos depois a pista ficou completamente parada. E pior, a gasolina estava acabando e não aparecia um posto "salvador”. Por meia hora ficamos naquela fila imensa de carros. Até que um “esperto” resolveu cortar os carros pelo acostamento. Outros três carros fizeram o mesmo em seguida. Então nosso motorista nem pensou muito e foi logo atrás deles. Era engraçado ver a maioria respeitando o transito e parado, e agente ultrapassando todo mundo. Mas alguns quilômetros depois à “pista” do acostamento também parou. Um cidadão humilde dirigindo uma Hilux e que também estava no acostamento não deixava ninguém passar. Ele dirigia a 10 km/h e segurava uma latinha de Skol. Não foram poucos os chingamentos e as buzinadas para esse cidadão. Ele nem se importou e continuou nesse mesmo ritmo por um tempão. Até aparecer um Posto da Policia Rodoviária em frente, o cidadão muito sensato saiu do acostamento e voltou para a pista certa. Os carros que estavam atrás da Hilux também fizeram o mesmo. Mas nosso motorista, destemido e audacioso, e com medo de ficar sem gasolina, pisou no acelerador e seguiu pelo acostamento. Quase tive um infarto nessa hora. Imaginei-me ligando para minha mãe avisando que estava preso no Rio de Janeiro. Realmente foi um ato irresponsável , mas foi a nossa salvação .
Conseguimos atravessar a divisa do estado numa boa e chegamos a Ubatuba rapidamente. Aproveitamos e finalmente reabastecemos. Mas assim que voltamos para a estrada começou a chover forte e a noite também chegou. O nosso motorista sentiu falta dos óculos, não sabia onde tinha colocado. Paramos novamente num posto de gasolina para procurar, porque não tinha condições de continuar sem eles. Ele lembrou que tinha deixado na barraca de manhã. O filho dele é quem a dobrou e guardou , mas não olhou direito se tinha alguma coisa dentro. Depois de muito procurar achamos os óculos “levemente” amassados no fundo da barraca. Já que não tinha outro (nem óculos, nem motorista), seguimos viagem assim mesmo.
Inventamos de cortar caminho pela Rodovia Oswaldo Cruz (SP-125), pois sabíamos que chegando a Caraguatatuba pegaríamos transito com certeza. Então ao invés de seguir pelo litoral pegamos essa rodovia sentido Taubaté até chegar à Dutra. Mas o que era para ser uma subida tranqüila pela serra quase acaba em tragédia. Essa rodovia passa pelo Parque Estadual da Serra do Mar e não existe iluminação alguma. E nosso motorista quase cego ia bem devagar, pois a pista estava escorregadia e chovia bastante. A subida da serra não acabava nunca e o nosso medo crescia na mesmo proporção.
Quando eu parecia estar acostumado com a situação, o carro simplesmente derrapou e foi para fora da pista. Achei que minha história ia acabar ali mesmo. Mas por sorte nosso habilidoso motorista freou antes de batermos e evitou o carro cair serra a baixo. Nunca agradeci tanto por estar vivo.
Depois desse baita susto seguimos a serra e chegamos são e salvos a Taubaté. Daí foi só chegar a Dutra e seguir direto para São Paulo.
Foi um final de aventura eletrizante. Novas amizades foram feitas, novos laços foram criados, e principalmente, relacionamentos fortalecidos. Todos estavam satisfeitos com o desfecho dessa grande jornada.
Era quase meia noite quando me deixaram em casa. Despedi-me de todos rapidamente, pois chovia bastante, agradeci por toda essa experiência que eles ajudaram a proporcionar. Minha amiga também me agradeceu e disse que minha presença foi fundamental para que tudo ocorresse bem.
Quando entrei em casa a primeira coisa que falei para minha mãe foi: “Eu quero arroz e feijão!”.
Fim
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
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Aleluia irmãos! Eis q ele chega ao fim da nossa jornada... Rocks, meu querido, devo dizer, antes de mais nada, que mesmo distantes...EU AMO VC...Adorei o relato e me matei de rir no fim...Claro que algumas de nossas lembranças são diferentes...risos... mas é isso que torna a vida rica...Belissimo! Parabéns!
ResponderExcluirMuito interessante, faltou um pouco mais de descrição nessa derrapada, afinal esta claro que a mão de Deus estava próxima neste momento!
ResponderExcluirMuito bom conto, aguardo ansioso sua biografia!
haushuahsua
XD